sexta-feira, 22 de julho de 2011

CRAFT BIKE TRANSALP – 7ª ETAPA – “Quanto mais magro está o cão…”

Hoje fizemos a etapa mais longa desta edição do Transalp. Foram 122km com 2500 metros de subida acumulada. De forma resumida podemos descrever a etapa da seguinte maneira: Subida pouco inclinada de 4km, descida de curvas e contra-curvas de 15km, subida lenta de 23km em gravilha, descida em alcatrão de 15km, ciclovia em asfalto de 25km, subida de 5km, e por fim, descida em asfalto, até à cidade de Trento, de 8km. Feitas as contas, fizemos cerca de metade da etapa em asfalto, o que resultou numa média horária, do grupo onde seguíamos, de 26km/h. Hoje chegámos com as duas primeiras equipas mistas. Rolámos sempre num ritmo relativamente confortável. No troço das ciclovias fomos quase sempre entre 32-36km/h.



Mas o inicio da etapa não foi nada fácil. Hoje descuidámo-nos com os horários, e quando fomos colocar as nossas bikes no bloco do costume – o B, já lá estavam mais de 100! A somar  a todas as bikes do bloco A, tínhamos mais de 200 atletas à nossa frente. Não tínhamos ideia da diferença que fazia entre deixar as bicicletas na linha da frente do bloco B e ficar a meio deste. O resultado foi uma perseguição de aproximadamente uma hora, até chegarmos às equipas que estamos mais habituados a ver durante as etapas, nomeadamente as duas atletas femininas mais bem classificadas. Durante essa perseguição, o Zé ainda teve que passar por cima de um atleta que tinha caído, juntamente com outro, mesmo á sua frente.


Todos os dias tem havido quedas. Algumas graves. As descidas apesar de não serem muito técnicas, são sempre propicias a altas velocidades, o problema é que geralmente são cobertas de gravilha muito solta. A rodas fogem com muita facilidade. Felizmente, eu e o Zé ainda não pontuámos nesta classificação. Esperemos que não seja na última etapa.

Hoje o lanche da chegada era mais completo. Meloa, melancia, uvas, pão com fiambre, pão com queijo, tartes, iogurtes,… O Zé comeu umas 15 fatias de meloa, e eu perdi a conta da melancia que comi. Depois da barrigada de fruta, fomos procurar a zona BIKE WASH. Não foi fácil, pois as marcações da organização têm sido muito deficientes. Não fosse a Cristina a fazer o reconhecimento das localizações importantes, e a esta hora ainda andávamos perdidos no meio da cidade de Trento, à procura do pavilhão onde vamos ficar instalados esta noite.

Na crónica de ontem, referi que as bicicletas ainda não tinham dado problemas. Mas falei cedo demais! Hoje quando fomos buscá-las ao parque das bicicletas, a do Zé tinha o travão da frente desafinado. Quase não travava. Para além disso, os rolamentos dos pedais, tanto os meus como os do Zé, estão quase gripados. A ver se aguentam a última etapa. Já para não falar do bloco de pedaleiro da minha Cannondale, que estala por todos os lados. Resumindo: não é fácil fazer 8 dias de Transalp sem assistência mecânica.



Mas não são só as bicicletas a precisar de tratamento. O meu joelho direito começou hoje a queixar-se com mais intensidade, para além das dores de ombros, pernas e pescoço que já me habituei. E o Zé espetou dois dentes da pedaleira na canela. Costuma-se dizer: “quanto mais magro está o cão, mais as pulgas lhe mordem”.
No momento que estou a escrever esta crónica, estou instalado num canto do pavilhão de basquetebol e tenho uma vista privilegiada para os mais de 250 atletas que dormem connosco no acampamento. Curioso ver que quase todos os homens já têm barba grande. Para além do cansaço acumulado, não é fácil cortar a barba nestes acampamentos, primeiro porque os lavatórios são sempre em número muito insuficiente e depois porque parece que em Itália não existem espelhos. Sempre ouvi dizer que os italianos eram vaidosos!

Dos atletas que dormem no acampamento facultado pela organização, quase sempre em pavilhões ou escolas, somos sempre os primeiros a chegar, pois todas as equipas que chegam à nossa frente nas etapas, têm uma estrutura de apoio montada e dormem em hotéis. Como tal nunca tivemos dificuldade em tomar banho ou arranjar um lavatório para lavar a roupa. Como a Cristina também chega primeiro aos acampamentos, reserva-nos sempre o melhor lugar dos pavilhões para estendermos os nossos sacos-cama.


Amanhã, finalmente, é a última etapa. Serão 76km com 2162 metros de subida acumulada. A maior dificuldade é logo no inicio, com uma subida de 8km. Além desta temos mais duas, mas mais curtas. A chegada será em Riva del Garda, junto a um lago lindíssimo.


Não sei se amanhã terei oportunidade de escrever a crónica, por isso despeço-me com
 “Até já” :)
Vitor Gamito

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