terça-feira, 19 de julho de 2011

Craft Bike Transalp - 4ª Etapa - "E outra, e outra, e outra..."

Hoje, supostamente, foi a etapa mais dura deste Transalp. Será?! Acho que já tinha dito o mesmo da segunda etapa!
Não há adjectivos para classificar a etapa de hoje em termos de dureza. Foram 72km com 3500 metros de subidas acumuladas.
Hoje terão desistido vários atletas. Aliás, durante a etapa de hoje reparámos que já havia muitas equipas só com um elemento, não contando, desta forma, para a classificação.

Com apenas 2km de etapa já estávamos a subir. Foram 17km sempre para cima. A parte mais dura ficou guardada para o final, com rampas de mil metros com mais de 25% de inclinação! Seguramente que mais de 75% dos atletas tiveram de fazer estas rampas a pé. Terminada esta primeira montanha, pensávamos que iríamos descer em igual proporção. Enganem-se! Mal descemos e já estávamos a fazer mais rampas. E foi assim quase toda a etapa. As descidas passavam muito rápido e as subidas demoravam hora e meia, duas horas a ser transpostas. A última subida então demorou uma eternidade. Quando pensava que já tinha terminado, mais uma rampa, e outra, e outra,.... Quase não houve sequer tempo para comer, pois rectas quase não existiam. Uma das vezes que tentei ingerir uma barra numa subida, fiquei com ela na boca uns bons 5 minutos, não a conseguia mastigar e respirar ao mesmo tempo! À conta disto, acabou-se-me a gasolina a meio da última subida. Passei uns quilómetros bastante mal, na reserva. Já chamava nomes à organização, e dizia mal da vida. Depois lá consegui ingerir um Extreme Gel, e a coisa melhorou. Demorámos 4h30 a fazer 72km, média de 16km/h.

Apesar da minha forma física já não ter salvação para esta prova, hoje senti-me um pouco melhor. Durante a hora e meia que demorámos a fazer a primeira subida, passei o tempo todo a olhar para o rabo da atleta que é segunda classificada. Atenção: para quem não sabe, “olhar para o rabo” significa pedalar sempre colada a ela ;) Fiquei impressionado com a técnica desta alemã a descer.
Depois na segunda subida deixámos essa equipa mista para trás e apanhámos a primeira. E mais uma vez, segui na roda da atleta durante bastante tempo. O ritmo destas atletas era mesmo ao mesmo jeito. Sobem certinho, sem variações de velocidade. Só que esta equipa subia certinho demais para o meu gosto, e tive que os deixar ir na última subida.
Hoje fizemos 23º lugar, devemos ter subido bastante na classificação, pois as diferenças de tempo hoje eram grandes. O Zé para não variar, fez mais um treininho. Mesmo assim, até para ele, hoje foi mais puxadote. Fez média de 130 de pulso, lol.


Na etapa só ia a pensar na melancia que iria comer no final da etapa. Mas tivemos uma surpresa: não havia melancia. Aliás, hoje o foi o lanche mais fraco, só havia uma mistura de massa fria com pimentos e azeitonas, e pêssegos. Salvou-me o Fast Recovery e as bolachas que o Zé Silva trouxe de Portugal :)
Agora, estamos instalados numa escola primária em San Vigilio (Itália), uma vila denominada a “princesa das Dolomitas”, a 1200 metros de altitude. Mas se acham que amanhã a etapa começa em descida, estão enganados. Vai começar com uma “subidinha” de 18km que nos vai levar até aos 2400 metros de altitude.
Neste momento já fomos massajados pela nossa Cristina Ponte, e aguardamos as 18h00 para irmos ao pasta party. A Team Garmin/GoldNutrition pode não ser a primeira nas etapas, mas chega sempre na frente no que toca ao pequeno-almoço e ao jantar :)

E já só faltam 4 etapas.

Até amanhã,
Vitor Gamito

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